Como líderes do setor privado podem colaborar com empreendedores sociais para mudar o mundo

Empreendedores sociais são impulsionados por sua visão de inclusão econômica, aumento na efetividade do sistema de saúde, e enriquecimento dos sistemas de saúde e educacional. Líderes do setor privado são motivados por fechar bons negócios, pela missão de gerar eficiência e abrir mercados. Existe um grande valor compartilhado de oportunidades quando estes dois tipos de indivíduos juntam suas forças. Juntos, com um alto nível de empatia e compreensão entre os setores social e privado, são capazes de desenvolver soluções que podem mudar o mundo.

Alguns líderes do setor privado já estão realizando parcerias com empreendedores sociais – como investidores, mentores e colegas – para implementar soluções sustentáveis e voltadas para o mercado, que solucionem problemas sociais latentes.

“No futuro, nós não falaremos sobre empreendedorismo e empreendedorismo social; falaremos apenas sobre a forma correta de se fazer negócios”, diz Hans Hikcler, CEO da DHL Express, que agora dedica entre 30% e 40% de seu tempo para trabalhar com empreendedores sociais.

Mas o sucesso destas alianças demanda paciência, entendimento mútuo e objetivos compartilhados. A Ashoka tem como objetivo conectar seus mais de 3000 empreendedores sociais, eleitos como Ashoka Fellows, com uma rede global de parceiros, conselheiros e investidores. Muitos destes líderes de negócio, são, como Hans, membro do programa Ashoka Support Network.

Por facilitar colaborações entre empresas tradicionais e organizações voltadas ao empreendedorismo social, a Ashoka aponta cinco dicas sobre o que faz esta parceria funcionar, e como líderes do setor privado podem fazer o approach inicial com empreendedores sociais.

1. Empreendedores sociais não estão apenas em busca de doadores e mentores – eles precisam de parceiros.

É mais do que assinar cheques para uma boa causa e gerar dedução de impostos. Empreendedores sociais necessitam desassociar seus empreendimentos de doações de caridade e outras formas de assistência direta. Os benefícios de uma guiança estratégica dada por um executivo do setor privado a um empreendedor social têm valor para ambos e não deve ser visto como um processo unilateral. Em última análise, a dinâmica de mestre-aprendiz pode gerar uma colaboração enriquecedora para ambos. 

Hans trabalha de perto com a médica Vera Cordeiro, fundadora da Associação Saúde Criança, no Rio de Janeiro, ajudando a construir um apoio holístico e suplementar ao sistema de saúde voltado para crianças hospitalizadas. Cinco vezes ao ano Hans viaja ao Brasil por uma semana para trabalhar com Vera e sua equipe em temas como gestão de talentos, design organizacional, além de contribuir para o desenvolvimento de um modelo de negócio social. “Sou parte do time dela”, diz Hans, que nutre uma parceria mais significativa e produtiva.

2. Suas redes são mais valiosas do que você pensa

A perspicácia nos negócios adquirida com a experiência de mercado é fator crítico para o sucesso, mas o valor do network construído ao longo dos anos por líderes do setor privado também não pode ser negligenciado. A abertura de portas ou uma apresentação à pessoa certa tem o potencial de fazer grande diferença ao empreendedor social, que pode precisar apenas de um insight ou uma conexão para produzir uma grande inovação.

3. Além do expertise em negócios, empreendedores sociais precisam de um board de conselheiros ativo. 

Mesmo se um líder de negócios não puder se comprometer com uma parceria próxima e de longo prazo com um empreendedor social, poucas horas por mês para um brainstorming ou para a resolução de um desafio específico podem ser de extrema relevância. A simples questão “O que te faz ficar acordado durante a noite?” poderá fazer com que os empreendedores sociais reflitam sobre seus problemas mais complexos, mas não impossíveis de resolver.

4. Finanças sociais podem oferecer um ROI competitivo, mas seja paciente e mantenha a mente aberta.

Nos primeiros cinco anos após sua seleção para a rede da Ashoka, 40% dos empreendedores sociais da rede estão explorando novas fontes de sustentabilidade financeira para suas organizações. Esta corrida para pode envolver um modelo de franquias, como o que a Madison Ayer implementou para o Farm Shop, que melhora a entrega de insumos agrícolas para pequenos produtores rurais no Quênia.

Ou isto pode envolver uma plataforma online para captação de recursos, como a loja virtual online Supporters Club desenvolvida por Mel Young para o projeto Homeless World Cup. 

O empreendedor social também pode trazer o valor intrínseco ao setor social para novos clientes corporativos, como a Gina Badenoch está fazendo por meio da Capaxia, ao ajudar departamentos de gestão de pessoas a entender estereótipos e preconceitos inconscientes para identificar talentos escondidos entre pessoas com deficiência ou com background que os deixam em desvantagem.

Estas inovações apontam uma nova era nas finanças sociais. Mas como com qualquer investimento, não há garantias de retorno financeiro ou impacto social. Investidores que procuram impacto social positivo no mundo têm de ter paciência, empatia e o desejo de trabalhar com seus empreendedores sociais parceiros se esperam aumentar a probabilidade de ver o retorno de seu investimento.

5. Empreendedores sociais estão gerenciando mais do que apenas um negócio, então eles querem mais do que um plano de negócios.

Willie Smits, ativista ambiental e engenheiro, conta a história de um encontro com um potencial investidor que perguntou, “Qual a minha porta de saída do negócio se ele não estiver funcionando?” Willie o apontou a porta e disse “Bem ali”’.

A organização de um empreendedor social geralmente representa a junção do trabalho da sua vida com um projeto altamente pessoal gerado com a intenção de mudar o mundo. Priorizar o lucro, desta forma, é negligenciar a razão de existir do empreendimento.

“Você está ajudando a criar um planejamento de vida, mais do que apenas um plano de negócios, afirma Luis Camilleri, um membro do Ashoka Support Network na Espanha, que trabalha junto a alguns empreendedores sociais, incluindo a rádio palestina pioneira para mulheres – Maysoun Odeh Gangat.

“Estes planos têm um componente de colocar parte da vida deles em algo significativo. Eles têm outros valores que vão além do fazer dinheiro”, adiciona Luis.   

Texto traduzido e adaptado do original publicado na Forbes, por Daniel Shiff, gestor global do Ashoka Support Network, baseado em Washington, DC. 

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