Evento em São Paulo dá início às comemorações de 30 anos da Ashoka no Brasil

Atual CEO da Ashoka, Bill Drayton fundou a organização em 1980 com a visão de que os empreendedores sociais são os motores da transformação social por combinarem pragmatismo, compromisso com resultados e visão de futuro para apontar soluções inovadoras para problemas sociais e ambientais — especialmente orientadas à mudança sistêmica de padrões e paradigmas da sociedade. 

Em 1986, a Ashoka deu início à sua expansão a partir da Índia, realizando seu primeiro painel de reconhecimento de empreendedores sociais no Brasil em dezembro do mesmo ano. Ao longo de três décadas, a organização consolidou-se como a maior rede de empreendedores sociais do mundo: são hoje mais de 3.200 “Fellows”, como os chamamos em inglês, atuando em mais de 90 países. 

Nesse mês, demos início às comemorações do nosso 30º aniversário no país. No dia 12 de dezembro, reunimos na Unibes Cultural, em São Paulo, nossa equipe, empreendedores sociais, líderes de nossas Escolas Transformadoras, parceiros, investidores, amigos e familiares que fizeram e fazem parte dessa história.

Anamaria Schindler, Copresidente emérita e Diretora da Ashoka na América Latina, deu as boas-vindas aos convidados e comemorou o pioneirismo da Ashoka na formação do campo do empreendedorismo social.

Em um mundo de mudanças aceleradas, novas demandas e ideias inovadoras geradas cada vez mais de maneira colaborativa, Anamaria também compartilhou as estratégias de atuação da organização, comovida por fazer parte há 20 anos de uma "comunidade que compartilha cultura e valores" em busca de uma sociedade em que todos sejam protagonistas da transformação social positiva que desejamos para o mundo. 

Durante a comemoração, apresentamos também as novas iniciativas e os resultados de atividades realizadas pela Ashoka no Brasil entre 2015 e o primeiro semestre de 2016.

Estiveram presentes dois dos primeiros empreendedores sociais selecionados pela Ashoka no Brasil há 30 anos: Silvia Carvalho e Valdemar de Oliveira Neto ("Maneto").

Lembrando seu rigoroso e extensivo processo de entrevista para tornar-se Fellow Ashoka, Silvia comentou, brincando: "Achei muito estranho... Me perguntaram, 'Onde você vai estar daqui a 20 anos?' Eu pensava, 'Eu não faço a mínima ideia! Daqui a 20 anos?!'". Hoje coordenadora executiva do Instituto Avisa Lá, acrescentou, "Na verdade, eu continuo trabalhando naquela ideia em que eles acreditaram no começo."

Para Maneto e Wellington Nogueira, ambos membros do Conselho da Ashoka no Brasil, pertencer à rede Ashoka tem um grande significado de identidade.

“Eu era professor de inglês, que virou ator de musical, que virou palhaço, que virou ‘ONGueiro’,” disse Wellington sobre como se sentia antes de se reconhecer como empreendedor social. E foi na rede de Fellows Ashoka que ele encontrou apoio para se dedicar a fundo ao Doutores da Alegria, “uma escola de palhaços para trazer um futuro de alegria pra esse país”, como ele descreve. “Toda essa rede me inspirou e me inspira até hoje.”

"Desde esse encontro com a Ashoka que eu tenho muito orgulho de dizer que até hoje a cada dia penso como um empreendedor social," disse Maneto.

Homenageando a criatividade e dedicação dos grandes nomes que compõem essa rede, Flavio Bassi, Diretor de Infância e Juventude para a América Latina e Líder da equipe da Ashoka no Brasil, destacou que “para trazer mudança sistêmica, a ideia pode ser muito simples. Mas feita com paixão, por uma pessoa que tem fibra ética, ela transforma completamente a forma como a gente vive em sociedade.”

Entretanto, ideias simples não deixam de desafiar problemáticas concretas. “Um dos grandes aprendizados do Chico Mendes foi que grupos de pessoas estavam se matando porque tinham os mesmos problemas, mas se viam como inimigos. Na essência, a inovação dele foi perceber que se povos indígenas, seringueiros e pequenos agricultores rurais na Amazônia se percebessem como pares, como aliados, e se unissem, poderiam, a partir dessa aliança, transformar a forma como a gente se relaciona com o meio ambiente. Isso foi tão perigoso que levou ao que levou. E leva até hoje – o Brasil é o país onde mais se assassina ambientalistas no mundo inteiro,” disse Flavio.

Chico Mendes foi reconhecido Fellow Ashoka em setembro de 1988, aproximadamente 3 meses antes de ser assassinado. Em colaboração com outros empreendedores sociais da rede, como a Mary Allegretti, desenvolveu o modelo do que são hoje as “reservas extrativistas”, um arranjo que promove equilíbrio entre manejo e conservação dos recursos naturais.

Sensibilidade aos desafios socioambientais, engenhosidade para o desenvolvimento de soluções e resiliência para tornar ideias a realidade para toda a sociedade são apenas alguns daqueles valores que ainda permeiam profundamente o processo de transformação social. E que venham muitos mais anos de construção colaborativa de uma nova realidade em que todos atuamos como protagonistas da transformação social!

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